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Lauro de Castro |
Vida
e Obra
Por Leila Gonçalves de Castro e Lauro Roberto Gonçalves de Castro
Lauro de Castro nasceu na
cidade de Curitiba, no estado do Paraná,
no dia 03 de março de 1921.
Filho de Mariano Rodrigues de Castro e Emma Hecke de Castro, casou-se com
Adoraci Miranda Gonçalves, na cidade
de Alexandra, estado do Paraná, no dia 04 de julho de 1942.
O casal teve quatro filhos: Milton Sergio Gonçalves de Castro, Luiz Carlos
Gonçalves de Castro, Lauro Roberto Gonçalves de Castro e Marco Antonio Gonçalves
de Castro, e uma filha adotiva: Leila Gonçalves de Castro.
Lauro de Castro seguiu a
carreira militar no Exercito, chegando à patente de Tenente Coronel e
participou ativamente do processo da II Guerra Mundial, comandando o batalhão
do Litoral Paranaense. Após deixar o exército tornou-se empresário, fundando
a Transportadora Guairacá, em Curitiba.
Cresceu na Igreja Presbiteriana
Independente, mas por causa da cura milagrosa de seu pai, irmão Mariano, o qual
já havia sido desenganado pelos médicos, ingressou na Igreja Quadrangular,
juntamente com a maior parte de sua família.
Como empresário de sucesso,
Lauro relutou em atender ao chamado para o ministério, pois já participava
ativamente na igreja. Porém Deus tinha algo especial para sua vida e ao
participar de uma Convenção Nacional na igreja Sede, no bairro da Barra Funda,
na cidade de São Paulo, sentiu-se tocado por uma profecia a qual o fez entender
claramente que deveria obedecer ao propósito do Senhor para sua vida, pois uma
grande obra precisava ser realizada no sul do país.
Em maio de 1955 chegou na
cidade de Curitiba, trazida pelo pastor Júlio Rosa, uma das tendas do ministério
denominado Cruzada Nacional de Evangelização, era o início da obra no estado
do Paraná.
Neste primeiro período
pastorearam a Cruzada em Curitiba os pastores Jessé Pereira de Toledo, Helmuth
Wagner, Leslie Dickerson e Lauro de Castro, que ao lado do pastor Dickerson começou
no ministério como co-pastor aspirante.
A obra em Curitiba cresceu de
maneira fora do comum naqueles anos, chegando a vinte igrejas só na capital.
Como diz o escritor do livro O Evangelho Quadrangular, Júlio Rosa,“...a
fase de maior evolução no setor evangelístico ocorreu durante o pastoreado de
Lauro de Castro. Dotado de um dinamismo e tenacidade incomum ao receber a unção
do Espírito Santo, transformou-se num verdadeiro gigante espiritual.” (O
Evangelho Quadrangular no Brasil - pág. 101).
Entre outras realizações, foi
de Lauro a inspiração para a fundação do Centro Evangelístico, em 1963,
onde diariamente se realizavam cultos a cada meia hora. O centro tinha por
objetivo disponibilizar serviços tais como: assistência social, assistência
jurídica e livraria, entre outros, recursos estes que eram utilizados como
estratégia para o atendimento espiritual. O centro permanece até hoje no mesmo
endereço, recebendo em média 450 pessoas em suas onze reuniões diárias,
realizadas de hora em hora, em uma sala com capacidade para 60 .
Outra inovação foi uma perua
Kombi, adaptada para uma capela ambulante, toda pintada de branco e com o
emblema da Igreja Quadrangular. Este veículo, equipado com uma sirene, atendia
os chamados para oração sobre enfermos em suas casas e dava também assistência
espiritual.
Campanhas evangelísticas eram
realizadas no centro da cidade nas tardes de domingo chamando o povo para as
reuniões que ocorriam na igreja durante a noite e ao mesmo tempo Lauro de
Castro iniciava na Rádio Marumbi (AM) o programa
"Visita ao Seu Lar".
Em tempos muito diferentes dos dias atuais, o programa trazia uma mensagem
inovadora, com o mesmo ardor e fé dos apóstolos da igreja primitiva. O
programa iniciava com o hino “Luz do Mundo”, cuja letra é um convite aos
desesperançados, cansados e oprimidos:
“Tua alma está ferida,
magoado o coração, a tristeza já se apoderou de ti? Escuta, meu amigo, Jesus
te fala assim: Ó, cansados e oprimidos vinde a mim. Tomai sobre vós meu jugo,
e Eu os aliviarei, e descanso verdadeiro vós tereis. Escuta, meu amigo, Jesus
te fala assim: Ó, cansados e oprimidos, vinde a mim.”
Assim,
centenas de pessoas dirigiam-se às tendas ou salões e tinham suas vidas
marcadas por um encontro pessoal com o Senhor e Salvador, Jesus Cristo. O
Evangelho era pregado de maneira apaixonante e seguido de manifestações, prodígios
e maravilhas, tornando evidente o poder restaurador de Deus. Vidas que
agonizavam em tormento eram transformadas e recebiam novo alento.
Foram
tempos memoráveis aqueles, quando a Igreja iniciava as suas atividades em
tendas de lona, semelhantes às de um circo, o que chamava a atenção do povo
das pequenas e grandes cidades, que para lá se dirigia. Muitas vezes, as
pessoas faziam-no mais motivadas pela curiosidade. Entretanto, ao ouvirem a
mensagem de esperança e fé, baseada em Hebreus 13:8, que diz Jesus Cristo é o
mesmo, ontem, hoje e eternamente, recebiam de bom grado a verdade da palavra de
Deus em seus corações. Se convertiam, e a Igreja de Cristo se fortalecia.
Ao perceber o resultado
atingido com o programa de radio, Lauro buscou ampliar os horizontes passando
para a Radio Emissora Paranaense, emissora de ondas médias, ondas curtas e
ondas tropicais. Em pouco tempo todo o Brasil estava sendo evangelizado.
Com a repercussão do programa
de rádio a Cruzada penetrara todo o interior oeste do
Paraná. Em 1958 numa tenda de lona iniciava-se o trabalho na cidade de Ponta
Grossa, dessa forma diversas localidades foram alcançadas pela mensagem
Quadrangular no interior do Paraná, entre elas: Calógeras, Arapoti,
Jaguariaiva, Pirai do Sul, Fundão, Boa Vista, Capinzal, Castro, Buatiazal,
Socavão, Pinhalzinho, Paina, Carabei, Tibagi, Cará, Guaragi, Pinheiro Seco,
Irati, Reserva, Telêmaco Borba, Guarapuava, Prudentópolis, Pato Branco,
Catanduva, Cascavel, Dois de Maio, Foz do Iguaçu, Toledo, Brasiliana, Assis
Chateaubriand, Guairá, Santa Helena, Cianorte e Maringá, entre outras.
Durante o seu pastorado, Castro
comprou uma grande propriedade para a igreja, nas proximidades da capital
paranaense, a qual transformou em um orfanato, denominado “Educandário
Mariano Rodrigues de Castro”, inaugurado já com 70 criancas.
Naquela época o único
Instituto Bíblico Quadrangular existente localizava-se em São Paulo, e Lauro
de Castro encaminhou vários aspirantes ao ministério para serem preparados na
capital paulista. Entre estes alguns destes filhos na fé do pastor Lauro como
Carlos Alberto de Quadros Bezerra e Manoel Maria dos Santos, que ingressaram no
IBQ em março de 1963. Este último recorda em sua biografia no site oficial da
Quadrangular: “... Eu
mesmo tive o privilégio de ouvir pela primeira vez nessas tendas instaladas na
cidade de Curitiba a mensagem de reconciliação, através do saudoso Pastor
Lauro de Castro, Meu pai
espiritual”.
Lauro,
confirmando sua visão ministerial, solicitou ao CND e a direção Nacional do
Instituto Bíblico Quadrangular (atual Instituto Teológico Quadrangular) a criação
de uma escola em Curitiba indicando para diretor o Pr. Joel Villon, já graduado
, em uma das primeiras turmas em São Paulo. Assim em julho
de 1965 foi fundado o Instituto Bíblico Quadrangular em Curitiba, no Paraná.
Seu primeiro diretor foi o pastor Joel Villon. Entre os anos de1965 e 1983 o
curso era o básico (de um ano), mas a partir de 1984 passou para três anos (curso
médio em teologia.
Pastor Lauro de Castro faleceu
em Curitiba no dia 24 de janeiro de 1970.
Homenagens Póstumas:
“...
Na década de setenta, a Cruzada perdia um verdadeiro gigante na fé: o Pastor
Lauro de Castro, titular da Primeira Igreja da Cruzada em Curitiba,
superintendente da região e Vice-presidente do Conselho Nacional de Diretores.
Sob a sua supervisão, a obra em Curitiba cresceu de maneira assombrosa.”
“...Já muitos de nossos companheiros de ministério, partiram para a glória
eterna. Dificilmente, poderíamos mencionar todos, tão elevado é esse número.
Mas cada um cumpriu a sua missão, como instrumento de bênçãos nas mãos do
Senhor, ainda que alguns num curto ministério. O que nos conforta, é a certeza
de que desfrutam das bem-aventuranças eternas na presença de Jesus Cristo.”
Julio Rosa, em seu livro (O Evangelho Quadrangular no Brasil – pág. 310).
“Escreve-se a
história não para adulação ou elogio, mas para testemunho da Verdade.” (Tácito,
citado por Carlos Alberto Bezerra no livro O Evangelho Quadrangular no Brasil).
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