Euclides Tavares

 

Página Inicial

Biografias

Vida e Obra

Por Marli de Jesus e Priscila M. C. de Oliveira

Euclides Raymundo Tavares nasceu na cidade de Visconde de Rio Branco, em Minas Gerais, no dia cinco de março de 1912. Era o segundo filho em uma família numerosa, tinha dez irmãos. Aprendeu a ler com a orientação de sua mãe, fez curso primário e completou seus estudos elementares em Araçatuba. Cursou o ginásio no Instituto Americano de Lins, pertencente à Igreja Metodista.

Trabalhou como balconista e escriturário em diversas firmas comerciais, inclusive na firma Almeida Prado. Ainda em Araçatuba foi um dos primeiros associados da “Associação dos Empregados do Comércio” e lá fez também o Tiro de Guerra.

O moço Euclides Tavares era católico romano por tradição. Com a sua mudança para Araçatuba, passou a sentir um grande vazio no terreno espiritual e isso o angustiava muito. Precisava ajudar no sustento de seus pais e grande número de irmãos, logo tinha que trabalhar muito, não dispondo quase de tempo para tratar das coisas espirituais. A influência do novo ambiente em que vivia e a leitura de um livro de Guerra Junqueira, intitulado “A Velhice do Padre Eterno” contribuiu para agravar a crise espiritual que veio a enfrentar. Seu interesse pela igreja romana esfriou completamente. Não tendo uma orientação segura no campo espiritual, mas sedento por satisfazer sua alma, enveredou para os estudos teosóficos.

Ao assumir a gerência das “Casas Santa Maria” em Birigui, entrou em contato com o irmão do pastor Benedito Natal Quintanilha, o qual também era comerciário. Após um longo e inteligente trabalho de preparação, esse colega conseguiu que Tavares fosse assistir, na Igreja Metodista, a festa de Natal em 1933. Porem seu tradicionalismo religioso era tão forte que ele ficou assistindo do lado de fora; não houve quem pudesse convencê-lo a entrar na igreja. Contudo deixou transparecer que ficara muito impressionado com a mensagem e as apresentações naquela noite.

O rapaz, certo disso, convidou-o para a vigília do 31 de dezembro, quando então Tavares entrou num templo evangélico pela primeira vez. Isso era algo totalmente fora do comum, pois significava a quebra de um mundo de tradições profundamente arraigadas no coração de um jovem com apenas vinte e um anos de idade.

Antes do culto houve uma reunião social, promovida pela sociedade de jovens da igreja, reunindo moços e moças. Tavares ficou encantado e deslumbrado com a camaradagem e a fraternidade que envolvia a todos. Nunca tinha visto algo parecido, e isso marcou profundamente a sua alma. Um seminarista pregou naquela noite, e fez um insistente apelo para que os ouvintes visitantes aceitassem a Cristo como Salvador. Não foi fácil, mas nos últimos instantes do apelo Tavares foi para frente aceitando a Cristo como seu Salvador.

Um ano mais tarde, já metodista de coração e bem entrosado na igreja, batizou-se e fez a sua pública profissão de fé, conforme os princípios da Igreja Metodista, isso a 31 de dezembro de 1934. De volta a Araçatuba, participou ativamente dos trabalhos da igreja, tendo a alegria de ver quase toda a sua família, incluindo seus pais, aceitar a Cristo como salvador.

Cursava a quinta série ginasial, quando recebeu sua primeira nomeação como pastor para a cidade de Promissão, em São Paulo. No mesmo ano foi nomeado também diretor interno da disciplina do internato masculino e presidente da Federação Metodista de Jovens da terceira região eclesiástica, que abrangia São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Norte do Paraná e Sul de Minas. Ocupou esse cargo durante quatro anos, tendo viajado mais de trezentos mil quilômetros nesse período, fundando e organizando dezenas de grupos de mocidade e juvenis.

Iniciou em 1940 o curso teológico na Faculdade de Teologia da igreja Metodista do Brasil, com seis anos de duração. Cursou medicina legal no seminário Batista em São Paulo, no curso ministrado pelo professor Flamínio Favero. Durante essa época de estudos no seminário atuou como ajudante pastoral em Sorocaba, Campinas e Limeira. De 1942 a 1944 pastoreou ainda em Santo André, São Caetano, São Bernardo do Campo e outras localidades. Dirigiu também durante três anos, como primeiro pastor, o trabalho criado na Faculdade de Teologia.

Após a sua formatura na Faculdade de Teologia, em 1945, exerceu um pastorado ativo e produtivo nas cidades de Bauru, Pirajuí, Jaú, Lacanga, Soturna, Aimoré, Bariri, Pederneira, Ourinhos, Pirajuí, Jaú, Santa Cruz do Rio Pardo, Xavantes, Salto Grande e Ribeirão Claro. Voltando a Araçatuba foi depois transferido para São Paulo, onde pastoreou igrejas metodistas em diversos bairros da capital. Tavares cursava, nessa ocasião, o segundo ano do curso normal do Instituto “Américo Brasiliense” de Santo André.

Ainda no ano de 1945 casou-se com a professora Amenaides de Campos Tavares. O casal teve três filhos: Francisca, Ubiratã e Rógel.

Foi elogiado pelo bispo metodista, devido ao seu eficiente pastorado em 1959 na igreja da Penha, quando o rol de membros ali atingiu o “elevado” número de 130, o que era considerado um recorde, por ser muito raro naqueles dias. No Concílio Regional da Igreja Metodista, realizado em 1961 e presidido pelo mesmo bispo, Euclides Tavares solicitou sua demissão irrevogável do ministério metodista, o que foi aceito.

Apresentado pelo Reverendo Geraldino dos Santos, então secretário executivo, o pastor Tavares Iniciou suas atividades na Igreja do Evangelho Quadrangular como pastor auxiliar na igreja sede e também secretário administrativo do Conselho Nacional de Diretores. Sua primeira mensagem na Cruzada foi bastante estranha para um metodista: pregou sobre a “cura divina”, num domingo em janeiro de 1961.

Logo passou a fazer parte do quadro de professores do Instituto Bíblico Quadrangular, lecionando, entre outras matérias, homilética e teologia pastoral. A 22 de abril de 1963 foi eleito pela primeira vez para a Secretaria Executiva da IEQ. Na função de secretário executivo, a qual ocupou até o ano de 1976, o pastor Tavares percorreu aproximadamente um milhão e quinhentos mil quilômetros em suas viagens de trabalho para a Igreja Quadrangular. Essas viagens por todo o território nacional foram feitas em ônibus, trem, carro e avião, não estando somadas a esta quilometragem as viagens ao estrangeiro, como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, também a serviço da Cruzada.

Atuando sempre ao lado do presidente, como homem de Deus experimentado, inúmeras foram as deliberações e decisões no Conselho Nacional ou nas convenções, frutos de sugestões ou projetos seus, das quais fazemos um breve apanhado:

- Organização e racionalização dos serviços dos escritórios da C.N.E.

- Publicação do boletim informativo.

- Organização definitiva do prontuário dos ministros, aspirantes, e obreiros licenciados.

- Criação do serviço de reembolso legalmente autorizado.

- Reinício das atividades do Curso por Correspondência do Instituto Bíblico Quadrangular.

- Criação de filiais do I.B.Q, ministrando o curso básico de um ano, em Curitiba, Porto Alegre, Belém e ainda o aumento de dois para três anos do curso regular do I.B.Q. em São Paulo.

- Criação dos campos missionários, o que muito contribuiu para o grande surto de obras por todo o Brasil.

- Enfatização do uso da saudação oficial da I.E.Q., ainda que não obrigatória, “Paz seja convosco”.

- Padronização dos impressos utilizados na igreja e dos livros para registros oficiais.

O programa para as comemorações, aqui no Brasil, do Jubileu de Ouro da Igreja Internacional, foi de sua iniciativa, bem como a coordenação do mesmo. Os resultados foram além da expectativa.

Pastor Tavares era dono de um temperamento bastante forte e defendia com ardor suas idéias e posições. Com o peso do cargo enfrentava não raramente desobediência, rebeldia e incompetência de muitos obreiros, entre tantas outras coisas. Na verdade ele se deu totalmente ao trabalho de Deus na Cruzada, desgastando grande parcela de sua vida numa atuação muito dinâmica. Em todos os anos em que estivemos ao seu lado aprendemos a conhecer o lado pacífico de sua personalidade: o grande amigo, o companheiro, o irmão em Cristo, o colega.

Era um bom contador de histórias e casos típicos ocorridos com ele em suas viagens, ou com alguém em outros tempos. Quando contava um caso era o primeiro a rir, com a sua característica e já popular gargalhada “quilométrica”. Seus ouvintes eram sempre contagiados por essa gargalhada inimitável.

Homem de grande capacidade mental e boa memória, ele conhecia pessoalmente e sabia os nomes e localização de cada pastor. De raciocínio ágil e calcado sempre em boa lógica, era quase impossível alguém enganá-lo ou trapaceá-lo quando se tratava dos negócios de Deus e da defesa do nome da Cruzada. Nos últimos anos de sua administração, para melhor desempenhar a sua atuação na Cruzada, ou onde quer que Deus o colocasse futuramente, licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Mogi da Cruzes em 1970 e bacharelou-se em Direito em 1972 pela Faculdade de Direito do Vale da Paraíba, em São José dos Campos.

A respeito do Reverendo Tavares o Pastor Júlio de Oliveira Rosas escreveu o seguinte:

“Durante seus anos de atuação na Cruzada, uma de suas principais preocupações como secretário executivo, foi o ministério da igreja. Não mediu esforços, trabalhando dedicadamente, para dar forma e sentido a esse ministério, de tal maneira, que hoje existe em cada um de nós uma consciência viva do nosso próprio ministério; cada pastor se sente como parte importante de um todo; há em cada um justificado orgulho em pertencer e servir a Cristo através do ministério Quadrangular.

Como a Cruzada foi o resultado do movimento direto do Espírito Santo no coração de seus filhos, aqueles foram os pioneiros desta obra e não de uma divisão de igrejas por causa de reavivamentos. Pastor Tavares encontrou o campo preparado para que se cumprisse a segunda etapa do grande projeto de Deus. Exatamente na hora em que a Cruzada estava preparada e necessitando dessa estruturação, o Senhor colocou o pastor Tavares e pastor Faulkner lado a lado, como instrumentos ungidos para essa importante missão.

Sem essa estruturação, sem essa organização, a obra não teria crescido como cresceu em tão curto prazo. Graças ao equilíbrio, às decisões sábias e à fé de homens como eles; graças à fé, coragem, trabalho e capacidade de assimilação espiritual de nossos pastores, a Cruzada cresceu, cobrindo o território nacional com a gloriosa MENSAGEM DO EVANGELHO QUADRANGULAR. Hoje temos consciência do que somos, e do que poderemos realizar ainda; mas isso dependerá em muito de nossa maior consagração e submissão à vontade de Deus.”

Todos os direitos reservados pelo Departamento Histórico da Igreja do Evangelho Quadrangular

Ao reproduzir qualquer parte deste site favor citar a fonte.